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“A Dialética do Ideal”: Evald Vasilievich Ilienkov

A Dialética do Ideal (Диалектика идеального) é um manuscrito de 1976, não publicado em vida por Ilienkov, mas que teve uma versão parcial, e fortemente editada, traduzida para o inglês, em 1977, por Robert Daglish, chamada O Conceito de Ideal (The Concept of the Ideal), na revista Philosophy in the URSS: Problems of Dialectical Materialism. Em 2009 foi publicada uma versão completa e com comentários do autor no periódico russo Logos (n. 1, p. 6-62), e, em 2012, este texto completo foi traduzido para o inglês, publicado no periódico Historical Materialism: Research in Critical Marxism Theory (v. 20, n. 2, p. 149-193). Esta tradução em português tem permissão do editor da revista Historical Materialism, e do tradutor, professor Alex Levant, da Wilfrid Laurier University, para a publicação no Marxists Internet Archive. Entre chaves estão os comentários que Ilienkov incluiu em versões subsequentes do texto, e mudanças de palavras e frases estão marcadas com um til (~). As notas do tradutor em inglês estão indicadas com A.L. e as do tradutor em português com M.S. Direitos de reprodução: licenciado sob uma licença Creative Commons.

Tradução do inglês: Marcelo José de Souza e Silva*

O “ideal” – ou a “idealidade” dos fenômenos – é uma categoria muito importante para ser tratada levianamente e sem cuidado, como é associado não somente com um entendimento marxista da essência do idealismo, mas até mesmo com sua nomenclatura.

Dentre as doutrinas idealistas, nós incluímos todos aqueles conceitos da filosofia que tomam como seu ponto de partida de uma explicação da história e do conhecimento uma concepção do ideal que é, como era, parcial, não elaborada – como consciência ou vontade, como pensamento ou como a mente em geral, como “alma” ou “espírito”, como “sentimento” ou como “criatividade”, ou como “experiência socialmente organizada”.

Isso é precisamente porque o campo anti-materialista na filosofia é chamado idealismo, e não, digamos, “intelectualismo” ou “psicologismo”, “voluntarismo” ou “consciência-ismo [сoзнанизмом]” – estas já são especificações particulares, e absolutamente não os atributos universais2 [всеобщие] do idealismo, independentemente da forma particular que assume. O “ideal” aqui é entendido em sua totalidade, como uma completa totalidade de interpretações possíveis – aquelas já conhecidas, e aquelas ainda para serem inventadas.

Portanto, devemos afirmar que a consciência, por exemplo, é “ideal”, ou pertence à categoria dos fenômenos “ideais”, e em nenhum caso, em nenhum sentido ou aspecto, ao material. Mas, se alguém diz, ao contrário, que o “ideal” é consciência (imagem mental, conceito etc.), então se introduz uma confusão inaceitável na expressão das diferenças (contrastes) fundamentais entre o ideal e o material em geral, no próprio conceito de “ideal”. Pois tal inversão transforma o conceito do ideal de uma designação teórica pensada de uma categoria bem-conhecida de fenômenos, em um nome para somente alguns poucos deles. Como resultado, sempre se corre o risco de entrar em uma correção: mais cedo ou mais tarde, uma nova, mas ainda desconhecida, variante do idealismo entrará inevitavelmente no campo de visão de alguém que não se encaixa em uma definição tão restrita do “ideal”, que não pode acomodar este caso especial. Onde se atribuiria esse novo tipo de idealismo? Ao materialismo. Nenhum outro lugar. Ou então teria que mudar o entendimento do “ideal” e “idealismo”, para remenda-la para evitar inconsistências óbvias.
Ivan é uma pessoa, mas uma pessoa não é Ivan. Isso é porque, sob nenhuma circunstância, é admissível definir uma categoria geral através da descrição de um caso, embora típico, de “idealidade”.

Pão é comida – isso é incontestável. Mas até mesmo a lógica da escola elementar não permite a inversão desta obviedade, como a frase “comida é pão” não é uma definição correta de “comida”, e pode parecer correta somente a alguém que nunca experimentou qualquer outro tipo de pão.

É por isso que se deve definir a categoria do “ideal” em sua forma universal, ao invés de através de referências a suas variedades particulares, assim como o conceito de “matéria” não é revelada através da enumeração das concepções atualmente conhecidas de “matéria” nas ciências naturais.

Incidentalmente, este método de raciocínio sobre o “ideal” pode ser encontrado a cada passo. Muito frequentemente o conceito de “ideal” é entendido como um sinônimo simples (quase desnecessário) para outros fenômenos, nomeadamente aqueles que são determinados teoricamente através de um entendimento do “ideal” na filosofia, mais comumente, o fenômeno da consciência – consciência em si mesma. Aqui está uma ilustração típica de tal entendimento {~ inversão da verdade}: “Fenômenos ideais não podem existir para além e fora da consciência, e todos os outros fenômenos da matéria são materiais”.

ILIENKOV, Evald – A Dialética do Ideal

Ver también: Artículos de Ilyenkov en Marxismo Crítico

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