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“A materialidade do trabalho e o trabalho imaterial”: Sergio Lessa

Como deve acontece de tempos em tempo, uma nova categoria “sociológico-filosófica” fez sua entrada na cena acadêmica: a do “trabalho imaterial”. Tal como ocorre na maioria das vezes, por ser uma novidade, a nova categoria foi saudada e alguns espaços lhe foram abertos na mídia e nas editoras do país. Apresentando-se como uma tese radical de esquerda, e tendo por trás a figura de Antonio Negri a lhe conferir alguma visibilidade, o conceito de trabalho imaterial acabou sendo acriticamente empregado até mesmo por setores da esquerda brasileira. É, por isso, necessário que a examinemos mais de perto, mesmo que estejamos convencidos que suas debilidades são tantas que a nova categoria do trabalho imaterial não deverá permanecer sequer por alguns poucos anos no debate em curso. Nos parece que seu destino não será muito diferente do que ocorreu com o “marxismo analítico”, que tanto furor fez na década de 1990 e que, hoje, poucos sequer recordam do que se tratava.

As teses de Maurizio Lazzarato, Antonio Negri e Michael Hardt acerca do “trabalho imaterial” têm como um de seus pilares a concepção que o “poder” teria passado por uma profunda transformação nas últimas décadas: se, antes, ele era localizado, hoje se encontraria difuso. Se, no passado, o poder era sempre o de uma nação, de uma classe, de um agente (como um capataz em uma fábrica), de um indivíduo (o burguês), de uma instituição (a política e as prisões), de um discurso (a fala autoritária como um cerimonial do poder); hoje ele se encontraria em difusão por todo o corpo social.

De pontual a um poder em difusão: tal alteração tornou, segundo tais autores, não apenas completamente ultrapassada, mas absolutamente impossível qualquer ruptura revolucionária com a ordem do capital. A tese da “imaterialidade” do trabalho, portanto, é muito mais que uma interpretação das novas formas de produção e de gerência. Inclui uma concepção política cujo cerne é a proposição de um “comunismo” compatível com o mercado, com o dinheiro, com a propriedade privada e o Estado. É a proposta de um “comunismo” sem a superação das classes sociais e com a manutenção do controle da produção nas mãos dos burgueses. Nele, o novo empresário, o “empresário político”, “não se envolve diretamente na produção, na sua organização direta, mas determina suas condições”,1 o “empresariado” conferiria ao “processo produtivo” “um sentido ordenado, coeso e completo.”

Um “comunismo”, portanto, que mantém o controle da produção nas mãos dos empresários. Em suma, um “comunismo” burguês! É sobre este aspecto diretamente político das teses de Negri, Lazzarato e Hardt que nos deteremos neste artigo.

A materialidade do trabalho e o trabalho imaterial

REVISTA OUTUBRO, N. 8, 2003

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