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“Três Séculos de Imortalidade”: Evald Vasilievich Ilienkov e Lev K. Naumenko

Publicado em russo na revista Comunista (1977, n.5, pp. 63-73) e publicado em italiano no Jornal Crítica da Filosofia Italiana (Julho-Dezembro 1977, ano LVI (LVIII), fasc. III-IV, pp. 410-426). Disponível em russo e italiano no Lendo Ilienkov (Читая Ильенкова)[http://caute.ru/ilyenkov/]. Direitos de reprodução: licenciado sob uma licença Creative Commons.

 Tradução do italiano: Marcelo José de Souza e Silva*

 Trezentos anos atrás terminou a jornada terrena de um dos melhores filhos da humanidade. O homem, a cuja memória são hoje forçados a curvar a cabeça respeitosamente até mesmo os adversários mais radicais de suas ideias, mesmo os inimigos implacáveis ​​dessa nobre causa, a que dedicou sua vida curta e brilhante, teólogos e idealistas de todos os matizes e cores. Séculos de esforços infrutíferos os convenceram de que não é possível confrontar Espinoza através de insultos, difamação, proibições e censura. Agora eles tentam conquistá-lo com a arma da “interpretação”, a forma mais grosseira de deturpar o verdadeiro sentido da doutrina do grande pensador humanista. Um fato bastante ridículo, mas verdadeiro. A mesma parte do obscurantismo religioso que, uma vez dado a conhecer o texto da “grande excomunhão”, que proibiu para sempre os correligionários não só de “ler qualquer coisa escrita ou compilada por ele”, mas ainda “estar ao lado dele mais perto que a distância de quatro côvados”, hoje, através da boca de Ben Gurion, pede permissão para a humanidade “para corrigir a injustiça” e para contar entre seus santos o grande herege e adversário de Deus…

Bertrand Russell, líder reconhecido do positivismo moderno, considerou-o um dos mais nobres e mais antigo entre os grandes filósofos, mesmo se ele achava que o “conceito de substância, que foi baseado em Espinoza, é uma concepção, que no nosso tempo não pode aceitar nem a ciência nem a filosofia”.

É claro que tais interpretações podem denegrir a figura de Espinoza muito pouco, como as antigas calúnias se provaram impotentes. E quanto maior for a distância no tempo que nos separa dos seus dias de vida, mais clara e distintamente é iminente a sua verdadeira face – o rosto de um dos fundadores da ciência moderna, uma concepção, em essência, materialista do mundo e do homem.

Pode-se dizer, sem exagero, que a doutrina de Espinoza a humanidade adquiriu de uma vez por todos os axiomas de uma cultura progressista democrática clara e inequívoca, tanto intelectual quanto moral. Em sua personalidade e sua obra, o intelecto e a moral se fundiram de maneira admirável, em que é impossível separar um do outro, e esta peculiaridade que o cria, que é difícil de se definir de outra forma que não profunda humanidade, profunda democracia de seu pensamento.

É difícil pensar em algo mais injusto que a lenda da “complexidade”, da “ininteligibilidade” e da “inacessibilidade” das teses que constituem a essência da doutrina de Espinoza. Estas são tão claras e simples em todos os pontos decisivos que podem parecer derivadas de uma ingenuidade infantil, ao invés de conceber como o resultado do trabalho árduo de uma mente madura e corajosa, nas garras de uma extrema necessidade, sob o domínio das nítidas contradições da época, as contradições do desenvolvimento da cultura burguesa, que acompanharam do início até o seu fim inevitável: entre ciência e religião, entre palavras e ações, entre o homem e a natureza, entre indivíduo e sociedade e assim por diante.

O edifício de sua Ética, pela lógica estrita de sua construção, lembra o harmonioso e luminoso Partenon. É um templo maravilhoso, erigido em honra ao homem e à humanidade, e entre outras coisas de um homem absolutamente real, terrestre, o que não é estranho a qualquer coisa humana, incluindo as suas fraquezas, ou seja, as limitações naturais de sua natureza… Se trata das mesmas fraquezas e limitações que toda religião “deifica”, que se apresentam e se concebem como virtudes incondicionais, como perfeições “divinas” de sua natureza, como resultado pelo qual suas perfeições reais começam a parecer defeitos pecaminosos. Espinoza não procura “deificar” o homem. Ele está apenas tentando entendê-lo como ele é. Esse é todo o segredo de Espinoza.

A grande vantagem do ateísmo de Espinoza que diz respeito a qualquer outra forma de “não-crença em Deus”, que constitui a força e a sabedoria de sua estratégia e tática, deriva, provavelmente, da parte da sua personalidade e de sua doutrina que definimos acima como democracia profunda, sincera estima pelo homem de sua época, real, vivo, não imaginário. Espinoza não estava tentando impressionar seus contemporâneos com as palavras irreverentes do tipo “não há deus!”, porque ele não estava lutando contra as palavras que designam os preconceitos e superstições, mas contra os mesmos preconceitos e superstições em sua essência. Ele estilhaçou os preconceitos, considerando com indulgência os termos que os expressavam. Precisamente por esta razão, ele se volta para os seus contemporâneos na única linguagem que eles entendem: deus está lá, mas vocês, homens, vocês o imaginam completamente diferente do que ele realmente é. Você pode imaginar muito semelhante a você, dando-lhe todo o seu egoísmo, toda a sua estreiteza pessoal e nacional, todas as características de sua natureza, com as peculiaridades da carne, chegando ao absurdo mais ridículo e óbvio.

Espinoza levanta, assim, a consciência religiosa de frente a uma alternativa muito desagradável: ou deus é antropomórfico, e então está privado de todos os atributos “divinos”, ou possui todos esses atributos, mas, neste caso, o conceito dele deve ser inocentado de todos os vestígios de antropomorfismo, de qualquer indício de semelhança com o corpo pensante do homem.

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